A Páscoa está chegando, e os amigos João e Tadeu estão sentados nos degraus em frente de casa, conversando: “O vovô disse que, na Sexta-feira Santa antes da Páscoa, as rochas se abrem e mostram tesouros escondidos”, diz João.
Tadeu concorda com a cabeça e acrescenta o que também ouviu: “E dizem que, onde na primavera desabrocha uma flor dourada, pode haver um tesouro escondido”.

Os dois falam sobre isso por tanto tempo que acabam decidindo que vão procurar o tesouro sozinhos e tentar a sorte. Afinal, a Sexta-feira Santa já é no dia seguinte!
À noite, eles preparam uma mochilinha. Colocam nela pão, uma maçã e uma garrafa de chá, porque não se sai em busca de aventuras com fome. João também coloca uma lanterninha, caso precisem espiar dentro de alguma fenda escura na rocha.
Quando se deitam na cama, não conseguem dormir e ficam imaginando onde aquele tesouro poderia estar. Por fim, o sono os vence, mas, mesmo dormindo, eles sonham com florestas e uma luz dourada.
A manhã está fria, mas o céu está azul. E assim os meninos saem em busca do tesouro, entram no caminho que leva à floresta, atentos a tudo ao redor.
Eles caminham entre as árvores e olham com atenção para o chão, procurando pela flor dourada florescendo em algum canto. Só que a grama ainda está baixinha e quase não há flores. Muito menos douradas.
Eles seguem em frente, cada vez mais longe, procurando perto dos tocos, das pedras e também de uma pequena clareira.
“Talvez a gente tenha chegado cedo demais”, diz Tadeu, chutando uma pinha.
João olha ao redor, mas só vê folhas secas e musgo. Mesmo quando chegam à rocha, tentam bater nela, para ver se por acaso ela se abre e lhes mostra seu tesouro. Mas nada acontece, a floresta continua quietinha e nada de tesouro.
Depois de um tempo, eles se sentam em um tronco caído e pegam o lanche.
“Talvez as pessoas tenham inventado essa história”, diz João, dando uma mordida no pão.
Tadeu dá de ombros e toma um gole de chá. Por um momento, eles ficam apenas sentados, ouvindo a natureza e as batidinhas distantes de um pica-pau. Parece que a expedição de hoje vai terminar só como um passeio comum.
Quando acaba o lanchinho, Tadeu percebe, entre as pedras, umas florzinhas miúdas que brilham ao sol em tom dourado. Elas são pequeninas e discretas, mas sua cor, entre as pedras cinzentas, simplesmente reluz.
Com cuidado, eles chegam mais perto e, atrás das pedras, veem um fiozinho de água que escorre pela rocha e cintila como fios de vidro. A água é tão limpa que dá para ver cada pedrinha no fundo, e a pequena cachoeira murmura baixinho.
“Uau, parece um tesouro de verdade”, maravilha-se João.
Eles se sentam ao lado do riachinho e, por um instante, apenas escutam a água e o vento nas copas das árvores. O sol se reflete na água e cria brilhos dourados, que dançam pelas pedras.
No caminho de volta, conversam que, embora não tenham encontrado o baú do tesouro, encontraram um lugar aonde vão adorar voltar para fazer belos passeios.
“Talvez os verdadeiros tesouros sejam assim…”, diz Tadeu.
E João concorda com a cabeça, porque sabe que não vão esquecer tão cedo essa Sexta-feira Santa. E, pensando bem… isso também conta como tesouro.
