O texugo Hugo acordou lá por meados de março. Não que ele estivesse com muita vontade de acordar, mas a luz já começava a entrar em sua toca e não o deixava dormir. Além disso, o ar começou a trazer aquele cheirinho conhecido de quando a primavera está chegando.
Ele virou-se para o outro lado. Depois voltou. E então, finalmente, levantou-se. Ficou um tempinho parado na entrada da toca, semicerrando os olhos por causa da luz.

Estava de barriga vazia e com as pernas duras. Lá fora, estava tudo molhado, mas o sol brilhava baixo entre as árvores, e a neve já tinha quase desaparecido.
Hugo se espreguiçou até as costas estalarem e saiu para sua primeira ronda. A grama estava deitada e amarelada, mas aqui e ali já despontavam as primeiras pontinhas verdes. O ar era cortante e cheirava a casca de árvore molhada.
Logo depois da primeira colina, ele percebeu que o inverno, naquele ano, tinha aprontado mais do que de costume. No caminho de sempre até o riacho, havia uma faia caída, grossa como um barril.
Hugo tentou contorná-la pela esquerda. Mas ali havia um buraco fundo, cheio de água. Tentou pela direita. Por ali dava para passar, só que ele precisou subir por cima das raízes que saíam da terra. Tropeçou três vezes e, em uma delas, escorregou pela lama e foi parar direto na valeta. Ele se sacudiu, olhou para trás e decidiu que, da próxima vez, preferia ir pelo morro.
Perto do riacho estava tudo encharcado. Seu lugar favorito, onde no outono costumava procurar minhocas debaixo de uma pedra, estava completamente coberto pela água.
Hugo ficou parado na margem, pensando. Depois decidiu explorar outro lugar, que ainda não conhecia. As árvores ali eram mais antigas e mais fechadas, e entre elas havia um silêncio que só existe na floresta no começo da primavera.
Do outro lado do riacho, ele encontrou uma grande pedra achatada. Ela estava seca e quentinha pelo sol. E, embaixo dela, finalmente encontrou minhocas.
Hugo comeu devagar e com bastante cuidado, e começou a achar que talvez aquele lugar tivesse esperado por ele o inverno inteiro. Depois se deitou na pedra e, por um tempinho, ficou apenas ali, tomando o primeiro sol da primavera. Depois de um inverno tão longo, aquilo era muito gostoso, e ele sentia a energia voltando para o seu corpo.
No caminho de volta para a toca, ouviu um farfalhar estranho. Parou. O barulho vinha de debaixo das raízes de um velho carvalho, a poucos passos de sua toca.
Hugo se aproximou e esperou. Seu coração batia um pouco mais rápido do que de costume. De debaixo da raiz, surgiu um focinho. Depois, dois olhos. E então apareceu a raposa inteira, ainda jovem, com o rabo cheio de agulhas de pinheiro. Por um instante, os dois ficaram apenas se olhando.
Hugo tomou coragem primeiro: “Eu sou Hugo e moro aqui ao lado”, disse com cuidado.
A raposa apareceu um pouquinho mais e falou: “Eu sou a Tereza e cheguei hoje. Espero não atrapalhar”.
Hugo balançou a cabeça. O carvalho era grande o bastante para os dois, e a raposa parecia uma vizinha simpática. Ele se virou e seguiu em direção à toca. Voltou para casa, entrou e se enrolou junto à parede do fundo.
Lá fora, os pássaros cantavam, e o ar ficava cada vez mais quentinho. Hugo fechou os olhos, satisfeito. Lá fora, aquele dia tinha sido mais complicado do que ele se lembrava da primavera do ano passado. Mas, por outro lado, havia descoberto tantas coisas novas, e isso com certeza valia a pena.O texugo Hugo acordou lá por meados de março. Não que ele estivesse com muita vontade de acordar, mas a luz já começava a entrar em sua toca e não o deixava dormir. Além disso, o ar começou a trazer aquele cheirinho conhecido de quando a primavera está chegando.
Ele virou-se para o outro lado. Depois voltou. E então, finalmente, levantou-se. Ficou um tempinho parado na entrada da toca, semicerrando os olhos por causa da luz. Estava de barriga vazia e com as pernas duras. Lá fora, estava tudo molhado, mas o sol brilhava baixo entre as árvores, e a neve já tinha quase desaparecido.
Hugo se espreguiçou até as costas estalarem e saiu para sua primeira ronda. A grama estava deitada e amarelada, mas aqui e ali já despontavam as primeiras pontinhas verdes. O ar era cortante e cheirava a casca de árvore molhada.
Logo depois da primeira colina, ele percebeu que o inverno, naquele ano, tinha aprontado mais do que de costume. No caminho de sempre até o riacho, havia uma faia caída, grossa como um barril.
Hugo tentou contorná-la pela esquerda. Mas ali havia um buraco fundo, cheio de água. Tentou pela direita. Por ali dava para passar, só que ele precisou subir por cima das raízes que saíam da terra. Tropeçou três vezes e, em uma delas, escorregou pela lama e foi parar direto na valeta. Ele se sacudiu, olhou para trás e decidiu que, da próxima vez, preferia ir pelo morro.
Perto do riacho estava tudo encharcado. Seu lugar favorito, onde no outono costumava procurar minhocas debaixo de uma pedra, estava completamente coberto pela água.
Hugo ficou parado na margem, pensando. Depois decidiu explorar outro lugar, que ainda não conhecia. As árvores ali eram mais antigas e mais fechadas, e entre elas havia um silêncio que só existe na floresta no começo da primavera.
Do outro lado do riacho, ele encontrou uma grande pedra achatada. Ela estava seca e quentinha pelo sol. E, embaixo dela, finalmente encontrou minhocas.
Hugo comeu devagar e com bastante cuidado, e começou a achar que talvez aquele lugar tivesse esperado por ele o inverno inteiro. Depois se deitou na pedra e, por um tempinho, ficou apenas ali, tomando o primeiro sol da primavera. Depois de um inverno tão longo, aquilo era muito gostoso, e ele sentia a energia voltando para o seu corpo.
No caminho de volta para a toca, ouviu um farfalhar estranho. Parou. O barulho vinha de debaixo das raízes de um velho carvalho, a poucos passos de sua toca.
Hugo se aproximou e esperou. Seu coração batia um pouco mais rápido do que de costume. De debaixo da raiz, surgiu um focinho. Depois, dois olhos. E então apareceu a raposa inteira, ainda jovem, com o rabo cheio de agulhas de pinheiro. Por um instante, os dois ficaram apenas se olhando.
Hugo tomou coragem primeiro: “Eu sou Hugo e moro aqui ao lado”, disse com cuidado.
A raposa apareceu um pouquinho mais e falou: “Eu sou a Tereza e cheguei hoje. Espero não atrapalhar”.
Hugo balançou a cabeça. O carvalho era grande o bastante para os dois, e a raposa parecia uma vizinha simpática. Ele se virou e seguiu em direção à toca. Voltou para casa, entrou e se enrolou junto à parede do fundo.
Lá fora, os pássaros cantavam, e o ar ficava cada vez mais quentinho. Hugo fechou os olhos, satisfeito. Lá fora, aquele dia tinha sido mais complicado do que ele se lembrava da primavera do ano passado. Mas, por outro lado, havia descoberto tantas coisas novas, e isso com certeza valia a pena.
