Em uma cidadezinha, todo mundo sabia que, nas manhãs de segunda-feira, saía do ponto de ônibus um grupinho de quatro vovós. Na frente iam quase sempre Maria, com uma cestinha, e Rosa, com uma mochilinha. Depois vinha Vera, com sua bengala, e Marta, que andava mais devagar.
Mas nenhuma delas jamais ia sozinha.

É que as segundas-feiras pertenciam à floresta. Toda semana, elas iam para a natureza e faziam exatamente aquilo que a estação do ano permitia. Desta vez, as vovós estavam juntando castanhas e bolotas na cestinha de Maria. Depois, levavam tudo até a mata atrás da cidadezinha e espalhavam a comida na beirada de uma clareira para os animais.
Vera dizia que um esquilinho de rabo avermelhado já a conhecia e sempre chegava correndo primeiro.
Na quarta-feira, elas se encontravam novamente, mas dessa vez iam ao parque, onde cuidavam de um canteiro perto da fonte. A cidade havia feito o canteiro ali, mas quase ninguém se lembrava de regá-lo.
As vovós resolveram cuidar dele com as próprias mãos. Compraram bulbos e, de vez em quando, regavam as plantas. Graças a elas, o parque ficava cheio de flores e cores já no começo da primavera.
O último dia da semana em que as vovós se reuniam era sexta-feira. As sextas-feiras eram dias de passeio. Uma vez por semana, elas pegavam o ônibus e iam a algum lugar onde nunca tinham estado ou onde fazia muito tempo que não iam. À estação de trem, à cidade vizinha, ao açude, a um museu ao ar livre…
E foi justamente por causa dos passeios de sexta-feira que as vovós começaram a fotografar. A ideia veio de Marta. Seu neto havia instalado em seu celular um aplicativo que, segundo ele, também conseguia reconhecer animais e plantas pelas fotos.
“Então precisamos aprender a tirar fotos, assim podemos descobrir que árvore ou que pássaro é esse”, disse Marta.
Elas não ficaram muito convencidas, mas aquelas vovós não seriam aquelas vovós se não gostassem de experimentar coisas novas. E assim, nos passeios, também começaram a pegar os celulares.
No começo, elas não se saíram muito bem. Marta fotografava principalmente o próprio dedo. As fotos de Rosa eram salvas em uma pasta que depois ela nunca conseguia encontrar. Vera, certa vez, sem querer, gravou um vídeo de vinte e cinco segundos do canteiro em vez de tirar uma foto. Mas, aos pouquinhos, as coisas foram melhorando.
Em um passeio de sexta-feira ao açude, Marta apontou o celular para os juncos, onde havia percebido um passarinho diferente. O aplicativo mostrou: “Saracura-d’água. Rara, muito arisca”.
Marta mostrou isso às outras e, por um momento, elas ficaram paradas em silêncio, olhando para os juncos, embora não conseguissem enxergar o passarinho.
“Mas antes ele estava ali, e eu nem sabia que existia um passarinho assim”, disse Marta.
Duas sextas-feiras depois, Duas sextas-feiras depois, Maria estava fotografando um velho moinho nos arredores da cidadezinha. Quando olhou uma das fotos, percebeu que havia alguém parado na janela do andar de cima, olhando para fora. Mas o moinho estava abandonado havia muitos anos.
As vovós se reuniram em volta da fotografia e passaram um bom tempo aumentando e diminuindo a imagem.
“Isso é uma cortina,” disse Vera.
“Não, isso não é cortina coisa nenhuma”, disse Maria.
Elas resolveram chegar mais perto. O moinho estava trancado, mas havia uma trilha que passava ao redor dele. Elas deram a volta e, junto à parede dos fundos, encontraram um senhor idoso sentado em um balde virado, consertando uma janela.
Ele se chamava Francisco. Era filho do antigo dono do moinho e tinha ido até lá para fazer alguns reparos, pois queria vender o lugar. As vovós conversaram com ele por mais de uma hora. Francisco mostrou a elas a velha roda do moinho, que ainda estava de pé, e explicou como ela funcionava.
No caminho de volta para o ponto de ônibus, Marta comentou: “Isso nunca teria acontecido se não tivéssemos começado a tirar fotos”.
Rosa concordou: “E também não teria acontecido se tivéssemos ficado sentadas em casa”.
O ônibus chegou atrasado, mas as vovós não se importaram. Elas tinham muito o que contar umas às outras e já estavam ansiosas para descobrir que coisa interessante encontrariam na próxima sexta-feira.
